Reconheço tua garganta
desde os silêncios do tempo
e tuas letras me desenham
as encruzilhadas da memória,
no terceiro mês
que o ano leva em seus olhos
serei o fiel guardião
dos segundos de tua história.
Aos onze dias
exportarei todas as palavras
e alimentarei as nuvens
com os versos destes meses,
saberei reconhecer
teu nome entre as chamas
à sombra das mangueiras,
ou na distância dos peixes.
Há vários séculos
me tomaste por assalto
quando as águas eram quentes
e cheiravam a colônia,
quando os brinquedos
tinham o sabor das promessas
e os beijos eram tímidos
e inocentes como begonias.
Lembro nesta noite
que nos estreamos como amigos
com a virgindade
de todas nossas circunvoluções,
deduzimo-nos amantes
dos sons dos mesmos sinos
e desfrutamos momentos
de farsas e revoluções.
Recéio que desta vez,
adivinharei tuas perguntas,
mas tu terás que confessar
todas minhas respostas,
para argumentar
com letras sóbrias e sem culpas
este poema que sai
de meus dedos como rochas.
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